Carregando cotações...

Luccy, criadora do segmento Proteção da Vontade, ocupa o espaço que testamento e holding deixam vazio

Luccy permite que cada pessoa registre, enquanto está lúcida, quem vai decidir por ela sobre saúde, rotina, negócios e patrimônio se uma doença ou um acidente a impedirem de manifestar a própria vontade, poupando a família de ter que adivinhar o que ela queria.
- Foto: Foto de arquivo | Edição: IstoÉ
- Foto: Foto de arquivo | Edição: IstoÉ

Holding familiar e testamento já fazem parte do vocabulário de quem planeja o futuro da família. Mesmo assim, uma pergunta permanece sem resposta: o que acontece com a vida, as decisões e o patrimônio de alguém que perde a capacidade de se expressar, não por morte, mas por um Alzheimer precoce ou outra demência, um AVC, um traumatismo por acidente ou semanas de sedação numa UTI? Holding protege o que você tem, testamento fala por você depois que você parte. Luccy protege quem você é, em vida. Protege exatamente o intervalo entre a perda da lucidez e a morte, um período que pode durar anos, em que a pessoa está viva, mas já não pode decidir por si.

Caroline Palomares e Sérgio Palomares enxergaram uma lacuna e deram nome a uma necessidade que ninguém notava. Assim nasceu Luccy, primeira marca brasileira inteiramente dedicada à Proteção da Vontade. “Havia uma constatação incômoda. O Brasil já tem instrumentos suficientes para proteger a vontade de cada pessoa, mas quase ninguém os conhece; eles são praticamente invisíveis. As pessoas planejam o que acontece com os seus bens depois que partem, mas quase nunca o que acontece com elas mesmas enquanto ainda estão aqui. Luccy existe para essa parte da vida”, diz Caroline.

Luccy reúne, no Protocolo do Legado, três instrumentos em um só plano: a autocuratela, com a qual a pessoa indica antecipadamente quem vai representá-la em caso de incapacidade; a diretiva antecipada de vontade, que registra suas preferências sobre tratamentos médicos e cuidados pessoais; e o mandato duradouro, com o qual ela escolhe quem seguirá cuidando do seu patrimônio e dos seus negócios. Luccy conduz esse processo do começo ao fim, e o plano é formalizado em cartório pelo tabelião, que lhe dá fé pública. O resultado é uma camada de proteção que o planejamento tradicional não alcança. Basta lembrar que uma procuração comum não resolve o problema de quem a outorga, porque ela perde a validade justamente quando quem a assinou já não tem capacidade de decidir.

Como a vida muda, o plano não termina no cartório. Casamentos, separações, nascimentos, a venda de um imóvel ou a abertura de uma empresa podem deixá-lo desatualizado com o tempo. Para isso existe a Proteção Luccy, uma assinatura de acompanhamento contínuo em que Luccy permanece ao lado da pessoa e revisa o plano sempre que algo importante muda na sua vida.

Os planos que Luccy organiza integram a central nacional de escrituras, que deve ser obrigatoriamente consultada em casos de interdição. Na prática, a vontade registrada chega ao juiz antes de ele decidir quem responderá pela pessoa. Em um país onde quase 2 milhões de pessoas já convivem com algum tipo de demência, número que deve triplicar até 2050, e que registra um caso de AVC a cada dois minutos, a ausência desse planejamento deixa famílias inteiras expostas a disputas judiciais, bloqueios patrimoniais e decisões tomadas por quem a pessoa jamais teria escolhido. Isso acontece porque ninguém foi preparado para pensar nesses temas com antecedência.

Luccy também atua em frentes que o mercado ainda não havia mapeado com profundidade. Para famílias em segundas uniões com filhos de relacionamentos anteriores, o Protocolo do Legado ajuda a evitar um dos conflitos mais dolorosos que a incapacidade pode gerar, a disputa entre filhos exclusivos e cônjuge atual pelo direito de decidir sobre a vida e o patrimônio de quem perdeu a capacidade de se expressar. Sem planejamento, a lei dá preferência ao cônjuge para representar a pessoa, uma ordem que nem sempre corresponde à vontade real dela. Luccy registra essa vontade enquanto ela ainda pode ser manifestada, com plena lucidez.

Para famílias com filhos que vão precisar de cuidado ao longo de toda a vida, Luccy desenvolveu o Protocolo de Continuidade Parental. A solução contempla desde a nomeação prévia de tutor para filhos menores em caso de morte dos pais até a preparação para a maioridade, quando o poder familiar se encerra e, nos casos em que o filho precisa de apoio para os atos da vida civil, a família passa a depender de um juiz para continuar a representá-lo. São dois momentos críticos que a maioria dessas famílias enfrenta sem nenhum instrumento preparado.

O mesmo raciocínio se aplica ao universo empresarial. Quando um sócio administrador sofre um revés que lhe retira a capacidade de decidir, a empresa pode ficar sem quem a represente. Contratos deixam de ser assinados, movimentações bancárias travam, deliberações ficam suspensas. Um processo judicial de interdição, quando há disputa, pode levar de dois a quatro anos, às vezes até mais, tempo suficiente para inviabilizar operações inteiras. Daí a importância de definir com antecedência, no Protocolo do Legado, quem assume a gestão e com quais limites.

Os ganhos vão muito além do documento. Quem faz o plano ganha a tranquilidade de saber que a própria voz continua valendo e, no caminho, enxerga com clareza onde está exposto. A família deixa de carregar o peso de adivinhar o que a pessoa queria num momento de crise, reduz o risco de conflito entre seus membros e fica mais protegida de quem queira se aproveitar de um momento frágil. Não se trata de desconfiar de quem se ama, e sim de poupar essas pessoas de uma decisão impossível.

O maior desafio de Luccy não é técnico, é cultural. Falar sobre incapacidade enquanto ainda se tem saúde exige uma mudança de perspectiva que poucas pessoas fizeram, e é exatamente essa conversa que a marca se propõe a abrir.